Blog pessoal sobre TDAH diagnosticado na vida adulta. Relatos reais de um Pós-Doutor com TDAH sobre carreira, neurodivergência, ciência e os desafios do dia a dia.


24/12/2025 às 10:43 // Vida com TDAH.
Chegamos àquela época do ano. O momento em que somos bombardeados por retrospectivas emocionantes e, principalmente, pela pressão social de criar listas de "resoluções de ano novo".
A promessa é sedutora: na virada do dia 31 para o dia 1º, um portal mágico se abre e temos uma página em branco. "Ano novo, vida nova", dizem.
Eu prefiro ser realista com vocês.
Como Pós-Doutor em Finanças, lido com dados concretos. Como empresário contábil, sei que os desafios fiscais e os boletos dos meus clientes não tiram férias. E como um adulto com TDAH diagnosticado tardiamente, sei que meu cérebro não vai "resetar" magicamente à meia-noite.
A nossa neurodivergência, a nossa impulsividade, a nossa dificuldade com rotinas, mas também o nosso hiperfoco e a nossa criatividade... tudo isso acorda conosco no dia 1º de janeiro.
Por isso, eu não vou usar este espaço para te desejar um ano de "paz e calmaria". Para pessoas com carreiras inquietas como as nossas, calmaria demais muitas vezes soa como tédio ou estagnação.
O meu desejo para você em 2026 é diferente.
Eu desejo que você tenha um ano de inquietude direcionada.
Que você pare de gastar energia lutando contra a sua natureza e comece a gastar energia criando estratégias para usá-la a seu favor.
Que você troque a culpa por não ser "organizado como os outros" pelo orgulho de entregar resultados extraordinários do seu jeito "caótico".
Que você abrace os desafios complexos que o mercado te trouxer, pois é neles que a nossa mente brilha.
Olhe para 2025 não pelo que você deixou de fazer, mas pelo que você sobreviveu e conquistou. Foi difícil? Foi. Teve momentos de exaustão? Com certeza. Mas você está aqui, pronto para o próximo round.
Em 2026, desejo a você menos promessas vazias e mais estratégia bruta. Menos vitimismo e mais execução.
O mundo precisa da nossa energia, desde que saibamos canalizá-la.
Um abraço, e nos vemos no ano que vem — provavelmente na correria, do jeito que a gente gosta.

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